Como escolher um bom advogado

Sempre precisamos de profissionais para executar serviços que não podemos ou não queremos fazer sozinhos: o encanador para consertar a descarga, a confeiteira para fazer o bolo de aniversário, o contador para declarar o imposto de renda e, para muitas necessidades, um advogado.

A contratação de um profissional sempre deixa aquela dúvida no ar, principalmente quando não é uma área que conhecemos: será que ele é bom? Existe uma forma simples para saber quando se está diante de um bom advogado, observando as características básicas de um bom advogado.

Escreve bem

A imagem popular associa a advocacia ao orador, que fala bastante e sabe impressionar com o seu discurso. No Brasil, o exercício jurídico é mais escrito do que falado, por isso não basta ao advogado saber falar, um bom advogado precisa dominar a língua escrita.

Não é difícil, nos dias de hoje, descobrir se alguém é bom escritor. Cada vez mais nos comunicamos pela linguagem escrita, não apenas em emails profissionais, mas também nas redes sociais como Facebook e Whatsapp.

A escrita é a principal habilidade de um advogado, seja para redigir contratos e documentos ou para levar a sua demanda ao Judiciário. A redação impecável é o básico que se pode exigir de um bom advogado.

Você entende o que ele fala

Muitos profissionais mascaram a falta de habilidade com palavras difíceis para fingir superioridade diante do cliente. Falam meia dúzia de coisas cujo significado você não conhece, cheios de palavras compridas e rebuscadas, querendo demonstrar que dominam o nosso idioma.

Não quero dizer que quem fala difícil está apenas fingindo que sabe, mas você pode ligar um sinal de alerta se o seu advogado não consegue – ou não se dá ao trabalho de – explicar o que está acontecendo. Ainda que seja uma situação extremamente técnica, o domínio do idioma garante uma forma simples de explicar o que é difícil.

Além do mais, os sábios dizem que o verdadeiro especialista no assunto é aquele que consegue ser compreendido por uma criança. Se você não consegue simplificar a questão, ainda não a entendeu completamente. Um bom advogado entende do seu trabalho e pode explicar o que está fazendo para qualquer pessoa.

É confiável

Existe uma dimensão subjetiva nessa questão – o que parece confiável pra você? Pode parecer muito pessoal, mas aqui, também, alguns sinais podem demonstrar se o profissional é confiável.

O primeiro e principal é a transparência: alguém confiável não tem nada a esconder. Responde às suas perguntas, te mantém atualizado sobre o seu caso e não enrola quando você precisa saber alguma coisa.

É importante saber que o advogado não sabe todas as coisas e que muitas coisas não estão em suas mãos. Se você estiver com um profissional transparente, ele vai deixar claro o que não depende dele e informar se existir algo a fazer além de esperar.

Ele não tem vergonha de dizer que precisa estudar melhor determinada questão para dar uma resposta ao cliente. Ele tem boas referências e disposição para cavar fundo até encontrar a melhor solução para o cliente. Ah! e ele sabe quando é melhor indicar um especialista do que fechar negócio.

O respeito pelos outros é fundamental. A imagem do “advogado malandro” não representa bem a profissão e não é o que você gostaria de ter ao seu lado. Pense bem, é um profissional que você vai pagar para defender os seus interesses.

Não é difícil para quem gosta de resolver as coisas com jeitinho dar um jeitinho no cliente sem que ele sequer perceba. Por isso, além de verificar se ele é transparente, observe como o profissional se relaciona com as pessoas, inclusive você.

Identidade

Você se identifica com o seu advogado? É importante que você possa enxergar nesse profissional alguém que pode representar os seus interesses. Este é o critério em que a subjetividade é maior.

O que é mais importante para você? A indicação de pessoas que você conhece? Um profissional formado nas melhores universidades? Muitos anos de experiência? Nenhum desses fatores é fundamental para formar um bom profissional, mas pode ser importante para que você se sinta mais confiante em sua escolha.

Há muitas opções no mercado para você encontrar o seu bom advogado e uma excelente bem na sua frente. Vamos conversar?

Quanto tempo demora?

Dentre todas as áreas da vida, de todos os papéis em que já me vi, em nenhum deles eu fui desafiada a exercitar a paciência como na advocacia. Os clientes chegam ansiosos. Quem tem um problema quer uma solução rápida. Quem paga, quer ver os resultados. Amanhã, de preferência. Mas quanto tempo demora um processo?

Quanto tempo é muito tempo?

Isso depende da sua referência. Sabe aquele negócio de “anos de cachorro”? Um cachorro tem um ano, na nossa percepção de tempo, mas considerando o desenvolvimento e a expectativa de vida dele, é como se já tivesse sete. Bom, é o que dizem, não sou especialista em cachorros, mas em processos.
Para quem está acostumado a lidar com processos judiciais, um ano é pouco tempo – dependendo do caso, é até inviável que um processo termine satisfatoriamente em prazo tão curto. No entanto, quando o advogado diz com tranquilidade que um processo no juizado será resolvido em poucos meses, não é raro ver o espanto na cara do cliente. Meses?! Para quem não conhece os “anos de processo”, pode parecer muito tempo, mas algumas coisas precisam ser consideradas nesse cálculo:

A razoável duração do processo

A Constituição determina que os processos tenham duração razoável. Isso significa que não podem ser longos demais, nem curtos demais.
Um processo longo demais é um processo enrolado, que fica muito tempo parado, que não tem movimentação, em que as partes ficam sempre pedindo mais prazo para fazer o que precisa ser feito, em que os servidores não trabalham com a agilidade necessária…
E o que é um processo curto demais? É um processo que termina de forma precipitada, em que as decisões foram tomadas sem a devida reflexão e análise, em que não são produzidas todas as provas que seriam necessárias… Não é raro que um processo assim tenha um resultado injusto.

O que influencia na duração do processo?

Existem prazos que devem ser seguidos. Por exemplo, se o réu do seu processo não for encontrado, ele deverá ser citado por edital e isso vai demorar, no mínimo, vinte dias. A data em que é marcada a audiência depende da agenda do juiz.
A agilidade das pessoas envolvidas na movimentação do processo não depende só da vontade de cada um. O seu processo pode ser o único que você tem, mas essa realidade só se aplica a você. Os advogados, os servidores, juízes, promotores, todo mundo tem uma pilha de processos. Embora o seu caso seja a coisa mais urgente na sua vida, pode não ser o mais urgente dentre todos os que estão nas mãos de um juiz.

Mas e se for realmente urgente?

Cabe ao seu advogado requisitar que o seu caso seja tratado com a devida urgência, reforçando pessoalmente a necessidade de uma decisão rápida, se for o caso. Acredite, as pessoas no Sistema Judiciário não querem que o seu direito se perca simplesmente porque o tempo passou e nada se fez. É para isso que existem as tutelas de urgência – decisões tomadas em fase preliminar para garantir que o direito não se perca.

Mas e aí, quanto tempo?

Não sei. Para a maioria absoluta dos processos, não existe um limite de dias para que este comece e termine. Um advogado pode lhe dar uma previsão de quanto tempo um processo como o seu pode demorar, com base em sua experiência profissional, mas jamais poderá lhe dizer com exatidão em quanto tempo você verá uma solução para o seu problema. Não pense que a gente gosta de enrolar os clientes ou que não estejamos ansiosos também para ver o fim desse processo, até porque muitos de nós só veem a cor do dinheiro quando tudo termina.
O jeito é fazer como os advogados: exercitar a paciência.

O que nunca pedir para seu amigo advogado

Com tantas faculdades de Direito no Brasil, é difícil que alguém não tenha um advogado conhecido. Nos últimos seis anos, a cada ano cerca de 150 mil pessoas iniciam nessa profissão. Provavelmente você tem um amigo ou parente que é advogado. Para evitar constrangimentos, vamos aprender o que você nunca deve pedir para seu amigo/parente advogado.

Respeite o profissional, preserve o amigo, evite situações constrangedoras.

Dar uma apressadinha

Não existe processo judicial em versão instantânea. Mesmo os mais rápidos podem demorar pelo menos três meses, e muitas vezes não há nada que o advogado possa fazer. Antes de reclamar com o advogado sobre a demora, pergunte qual é o motivo e se não há nada que possa ser feito nessa situação. Se você não estiver pagando o seu advogado – que está fazendo aquele favor de amigo pra você – não pressione. É possível que seu amigo esteja priorizando os clientes, que são seu ganha-pão. Se quiser ser tratado como todos os outros clientes, pague como todos os outros clientes.

Dar um jeitinho

Existe uma reputação que paira sobre os advogados, como se sua profissão se baseasse em tramar esquemas para manipular a lei e a ética em benefício próprio e de seus clientes. Não é bem assim. Aliás, pedir para alguém fazer algo errado, seja pelo ponto de vista legal, moral ou ético pode acabar por ofendê-la, e assim você se arrisca a perder um bom amigo ou mesmo a ser denunciado. Se você fizer algo errado, um advogado sério e honesto vai lhe ajudar a sair dessa situação da melhor forma possível, dentro da legalidade.

Dar uma olhadinha

Nem todo mundo busca um advogado sério e honesto. Pode ser que você queira mesmo alguém com uma moral elástica. Apenas não seja ingênuo: quando um profissional sugere ou aceita fazer o que é errado em seu benefício, não pense que ele não pode agir da mesma forma em seu desfavor, para se beneficiar. Quando o cliente começa a desconfiar que seu advogado não está sendo correto consigo, pede para o amigo dar uma olhadinha e conferir o trabalho do colega. Esse pedido não é ético e coloca o seu amigo em uma situação desconfortável. Se desconfia do seu advogado, converse com ele ou encerre as suas relações com ele. Aí sim, procure o seu amigo ou outro advogado de confiança.

Dar um conselho

“Se conselho bom não seria dado, seria vendido”. Pois é justamente isso o que fazem os advogados. Todo profissional reclama quando alguém pede que ele trabalhe de graça, em nome da amizade, ou porque é da família. Com o advogado não é diferente. Quando o conselho de que você precisa não for um simples conselho de amigo, mas necessitar de alguém com conhecimento jurídico, não desvalorize o tempo do seu advogado. Antes de fazer a sua pergunta, pergunte quanto ele cobra pela consulta.