O que nunca pedir para seu amigo advogado

Com tantas faculdades de Direito no Brasil, é difícil que alguém não tenha um advogado conhecido. Nos últimos seis anos, a cada ano cerca de 150 mil pessoas iniciam nessa profissão. Provavelmente você tem um amigo ou parente que é advogado. Para evitar constrangimentos, vamos aprender o que você nunca deve pedir para seu amigo/parente advogado.

Respeite o profissional, preserve o amigo, evite situações constrangedoras.

Dar uma apressadinha

Não existe processo judicial em versão instantânea. Mesmo os mais rápidos podem demorar pelo menos três meses, e muitas vezes não há nada que o advogado possa fazer. Antes de reclamar com o advogado sobre a demora, pergunte qual é o motivo e se não há nada que possa ser feito nessa situação. Se você não estiver pagando o seu advogado – que está fazendo aquele favor de amigo pra você – não pressione. É possível que seu amigo esteja priorizando os clientes, que são seu ganha-pão. Se quiser ser tratado como todos os outros clientes, pague como todos os outros clientes.

Dar um jeitinho

Existe uma reputação que paira sobre os advogados, como se sua profissão se baseasse em tramar esquemas para manipular a lei e a ética em benefício próprio e de seus clientes. Não é bem assim. Aliás, pedir para alguém fazer algo errado, seja pelo ponto de vista legal, moral ou ético pode acabar por ofendê-la, e assim você se arrisca a perder um bom amigo ou mesmo a ser denunciado. Se você fizer algo errado, um advogado sério e honesto vai lhe ajudar a sair dessa situação da melhor forma possível, dentro da legalidade.

Dar uma olhadinha

Nem todo mundo busca um advogado sério e honesto. Pode ser que você queira mesmo alguém com uma moral elástica. Apenas não seja ingênuo: quando um profissional sugere ou aceita fazer o que é errado em seu benefício, não pense que ele não pode agir da mesma forma em seu desfavor, para se beneficiar. Quando o cliente começa a desconfiar que seu advogado não está sendo correto consigo, pede para o amigo dar uma olhadinha e conferir o trabalho do colega. Esse pedido não é ético e coloca o seu amigo em uma situação desconfortável. Se desconfia do seu advogado, converse com ele ou encerre as suas relações com ele. Aí sim, procure o seu amigo ou outro advogado de confiança.

Dar um conselho

“Se conselho bom não seria dado, seria vendido”. Pois é justamente isso o que fazem os advogados. Todo profissional reclama quando alguém pede que ele trabalhe de graça, em nome da amizade, ou porque é da família. Com o advogado não é diferente. Quando o conselho de que você precisa não for um simples conselho de amigo, mas necessitar de alguém com conhecimento jurídico, não desvalorize o tempo do seu advogado. Antes de fazer a sua pergunta, pergunte quanto ele cobra pela consulta.

Consumidor: quando eu devo processar?

Como consumidores, todos passamos por momentos desagradáveis. Cartão recusado, atendente desagradável, produto com defeito, demora na entrega, aqueles dois reais na fatura que ninguém sabe de onde veio… todo mundo já deve ter passado por pelo menos uma dessas situações chatas, desagradáveis. Dentre as muitas reações que poderíamos ter, qual é a mais adequada para cada situação?

Vamos tentar não chegar às vias de fato como estes nobres senhores

Deixar pra lá

Sim, senhora, nem todo aborrecimento da vida é motivo para criar encrenca por aí. Só porque o vendedor da loja não pronunciou o seu “Bom dia” do jeito mais animado não quer dizer que você tenha direito a alguma coisa. Se você não tem a obrigação de ser feliz o tempo todo, por que não estender a compreensão e cortesia com que gostaria de ser tratado aos outros? Muitas guerras (judiciais, literais…) que se arrastam há anos começaram com uma besteira que poderia ter sido relevada com um pouco de cortesia. Ninguém ganha com esse tipo de ressentimento, na verdade, o mundo todo perde com a propagação da cultura da violência e da retaliação.

Uma pequena observação: nunca deixe pra lá a menor besteira que seja quando se tratar de uma empresa de grande porte. Me refiro a empresas de telefonia, cartões de crédito, redes nacionais e multinacionais do varejo, bancos, entre outros. Não é raro que uma empresa com milhares de clientes dilua uma soma considerável em valores ínfimos, para que o consumidor não se dê ao trabalho de reclamar. Quando você se deparar com dez centavos a mais na fatura, calcule o quanto essa empresa pode ganhar se cada cliente lhe der dez centavos de forma gratuita. Não incentive essa prática.

Conversar numa boa

As soluções fáceis, práticas e pacíficas são muito subestimadas. Seja na prática de um erro honesto (aquele em que a pessoa sequer se deu conta de que errou) ou até quando o outro estava mesmo tentando se aproveitar da situação e levar vantagem, ao se deparar com um interlocutor calmo e bem-informado, a tendência é que a situação se resolva da melhor forma possível. O oposto também é válido. Uma situação simples pode ficar bem complicada quando a pessoa já inicia a conversa com nervosismo e grosseria. A tendência é que o outro responda à altura e a coisa não fique bonita. Quando o caixa da padaria der o troco errado, não precisa chamar o gerente, a polícia, o Procon, processar a empresa… Mantenha a calma, converse tranquilamente, exponha a situação ocorrida e diga claramente o que você quer. As chances de sucesso são altas.
É fato que algumas vezes a conversa não é algo tão simples. Pode ser que você precise ligar para um serviço de atendimento ao consumidor, e isso é sempre chato, ainda mais se a fila de espera for grande. Mesmo assim, procure manter a calma e a paciência e, se possível, não pule essa etapa. Por incrível que pareça, cada vez mais empresas estão preocupadas em fornecer um bom atendimento ao consumidor. Você pode ter o seu problema resolvido ali mesmo, quem sabe receber um desconto e, se nada der certo, pelo menos a empresa não poderá dizer que não tomou conhecimento do problema.

Procurar um serviço de apoio ao consumidor

Seja o Procon ou sites como Reclame Aqui e Proteste. Se o seu caso não envolve danos indenizáveis, se tudo o que você quer é o seu dinheiro de volta, ou um produto que funcione, enfim, que o erro seja reparado pela empresa e nada mais, este pode ser o melhor caminho. 
O diferencial do Procon é que haverá uma conciliação em que comparecerão pessoalmente o reclamante (consumidor) e o representante da empresa para tentar chegar a um acordo.
Atente para as seguintes situações: causas muito pequenas (dez, cinquenta, duzentos reais) e/ou que envolvem empresas pequenas, empresário individual, empresa familiar, podem ser resolvidas de forma mais eficiente dessa forma, desde que tudo o que você queira seja apenas a solução do problema, e não a solução do problema + indenização. 
Se o seu caso já for judiciável, esta pode ser apenas uma etapa para adiar o fim da sua saga. No entanto, pode ser interessante registrar a sua reclamação no Procon, para que conste nas estatísticas do órgão. É como dar uma nota baixa ou avaliação ruim para o estabelecimento com o qual você tem problemas. Em alguns estados o Procon mantém e divulga listas das empresas que mais têm problemas com o consumidor.

Buscar uma solução judicial

O processo judicial é a reação máxima, se estivermos falando apenas das formas legais de se reagir a uma situação desagradável. Se nada der certo, se de forma alguma for possível o acordo, o jeito é recorrer ao Juizado Especial Cível.
Existem casos em que eu aconselho cortar caminho e ir diretamente ao Judiciário. São duas as hipóteses: 1) Situações em que o dano moral é presumido e 2) Situações em que o dano moral é grande.
Dano moral presumido
Para algumas situações, o Poder Judiciário já estabeleceu que sempre cabe indenização por danos morais. Um dos exemplos mais conhecidos é a inscrição indevida em serviços de proteção ao crédito (Serasa/SCPC), entre outras situações. Consulte seu advogado para saber se o seu caso se encaixa aqui.
Dano moral grande
Não estou falando do tamanho da indenização, mas sim do tamanho do dano. Faça uma pesquisa interior. Você sofreu com essa situação? Se sentiu impotente, humilhado, pisado, traumatizado? Você foi pessoalmente e profundamente ofendido? Essa situação tirou a sua paz, a sua tranquilidade, o seu sono? Se a resposta é afirmativa, você tem direito a ser indenizado pelo seu sofrimento. Essa indenização apenas será possível através de um processo judicial.